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Como as Corretoras Ganham Dinheiro de Você

  • murainvest
  • 26 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Se você investe ou está começando agora, existe uma pergunta fundamental que quase ninguém faz — mas deveria:

Como exatamente as corretoras ganham dinheiro comigo?

Entender isso não é para “odiar” corretoras. Pelo contrário. Corretoras são empresas, prestam serviços essenciais ao mercado financeiro e precisam lucrar. O problema começa quando o investidor não entende os incentivos por trás das recomendações, produtos e plataformas que utiliza.

Neste artigo, vou te explicar, de forma clara e profissional:

  • Quais são as principais fontes de receita das corretoras

  • Onde estão os conflitos de interesse

  • Como isso impacta seus retornos no longo prazo

  • E, principalmente, como um investidor inteligente se protege e usa o sistema a seu favor

Prepare-se: depois dessa leitura, você nunca mais vai investir da mesma forma.

corretora

1. Corretoras não ganham dinheiro quando você ganha — elas ganham quando você movimenta

Esse é o primeiro choque de realidade.

Na imensa maioria dos casos, a corretora não participa diretamente do seu lucro ou prejuízo. Ela ganha dinheiro quando você:

  • Compra

  • Vende

  • Troca

  • Aplica

  • Resgata

  • Mantém certos produtos na carteira

Ou seja: movimento gera receita.

Por isso, modelos de negócio baseados em corretagem, taxas e comissões tendem a incentivar:

  • Giro excessivo de carteira

  • Troca constante de produtos

  • Sensação de “oportunidade imperdível” o tempo todo

O investidor disciplinado, que compra bons ativos e segura por anos, é menos lucrativo para a corretora tradicional.


2. Corretagem: o modelo clássico (e ainda muito relevante)

A corretagem é a forma mais antiga de receita.

Funciona assim:

  • Você compra ou vende um ativo

  • A corretora cobra uma taxa por ordem executada

Mesmo quando a corretagem é anunciada como “zero”, isso não significa que a corretora não esteja ganhando dinheiro.

Onde está o detalhe que poucos percebem?

  • A corretagem pode estar embutida no spread

  • A corretora pode receber por fluxo de ordens

  • Pode haver ganho indireto com produtos associados

O conceito-chave aqui é simples:

Nada no mercado financeiro é realmente grátis.

3. Spread: o custo invisível que corrói seus resultados

O spread é a diferença entre o preço de compra e o preço de venda de um ativo.

Em produtos como:

  • Renda fixa

  • Câmbio

  • COEs

  • Produtos estruturados

… o spread é uma das maiores fontes de lucro das corretoras.

Exemplo prático:

  • Um título poderia ser comprado por 100

  • A corretora te vende por 102

  • Esses 2% são receita direta

O investidor iniciante raramente percebe isso, porque:

  • Não vê a taxa explícita

  • A linguagem é técnica

  • A comparação de preços é difícil

No longo prazo, spreads altos podem custar dezenas ou centenas de milhares de reais.


4. Rebates e comissões de produtos financeiros

Aqui entramos em um dos pontos mais delicados do mercado.

Muitos produtos financeiros pagam comissões para quem os distribui, como:

  • Fundos de investimento

  • Previdência privada

  • COEs

  • Debêntures incentivadas

  • Seguros financeiros

Essas comissões são chamadas de rebates.

O conflito de interesse

  • O produto que paga mais rebate não é, necessariamente, o melhor para você

  • Mas pode ser o mais interessante para a corretora ou para o assessor

Isso explica por que certos produtos são:

  • Excessivamente recomendados

  • Vendidos como “exclusivos”

  • Apresentados com forte apelo emocional

Um investidor experiente sempre se pergunta:

“Esse produto é bom para mim ou bom para quem está me oferecendo?”

5. Fundos de investimento: taxas que trabalham contra você

Fundos são instrumentos legítimos e úteis — mas extremamente mal compreendidos.

As corretoras ganham dinheiro com fundos através de:

  • Taxa de administração

  • Taxa de performance

  • Rebates pagos pelo gestor

O problema das taxas no longo prazo

Uma taxa aparentemente pequena, como 2% ao ano, pode consumir mais de 30% do seu patrimônio final em horizontes longos.

E o pior:

  • A taxa é cobrada independente do desempenho

  • Em muitos casos, o fundo não bate o índice

Investidores profissionais sabem:

Retorno bruto é propaganda. Retorno líquido é o que importa.

6. Giro de carteira: quanto mais você opera, mais a corretora lucra

Plataformas modernas são desenhadas para:

  • Facilitar operações

  • Estimular cliques

  • Criar sensação de agilidade e oportunidade

Isso não é por acaso.

Cada operação gera:

  • Corretagem

  • Spread

  • Emolumentos

  • Receita indireta

O trading excessivo é estatisticamente prejudicial ao investidor pessoa física, mas altamente lucrativo para o sistema.

Disciplina, paciência e estratégia clara reduzem drasticamente seus custos invisíveis.


7. Produtos estruturados: margens altas, complexidade maior

COEs e estruturas financeiras são campeões de margem.

Por quê?

  • São difíceis de comparar

  • Têm linguagem técnica

  • Misturam renda fixa e derivativos

Isso permite:

  • Spreads elevados

  • Margens embutidas

  • Baixa transparência

Não significa que são sempre ruins — mas exigem entendimento profundo.

O investidor comum, infelizmente, compra sem compreender totalmente os riscos.


8. Empréstimo de ativos e aluguel de ações

Pouco divulgado, mas extremamente lucrativo.

Quando você compra ações e as mantém em custódia:

  • A corretora pode alugá-las

  • Receber uma taxa

  • E dividir (ou não) esse ganho com você

Muitos investidores nem sabem que isso acontece.

Transparência aqui é fundamental.


9. Assessoria “gratuita”: alguém sempre paga a conta

Se você não paga diretamente pelo assessor, o pagamento vem de algum lugar.

Normalmente:

  • Rebates

  • Comissões

  • Incentivos comerciais

Isso não torna o assessor automaticamente ruim, mas exige maturidade do investidor para:

  • Fazer perguntas

  • Comparar produtos

  • Entender incentivos

Assessoria boa é aquela que aguenta questionamento técnico.


10. O que o investidor inteligente faz com essa informação

Agora a parte mais importante.

Um investidor experiente:

  • Entende como cada produto gera receita

  • Minimiza taxas desnecessárias

  • Prioriza simplicidade

  • Investe com horizonte de longo prazo

  • Se preocupa mais com risco do que com promessas de retorno

Ele não busca eliminar custos — isso é impossível.

Ele busca custos justos, transparentes e alinhados aos seus objetivos.


Conclusão: conhecimento é o verdadeiro diferencial

Corretoras não são vilãs. Elas são empresas.

O problema nunca foi o lucro delas — foi a falta de educação financeira do investidor.

Quando você entende como o dinheiro circula no mercado:

  • Você toma melhores decisões

  • Evita armadilhas comuns

  • Aumenta seu retorno líquido

  • Dorme mais tranquilo

No mercado financeiro, quem não entende o jogo…

acaba jogando contra si mesmo.

Se você quer investir de forma consciente, estratégica e alinhada ao longo prazo, comece sempre pela pergunta certa:

Quem está ganhando dinheiro com essa decisão — e por quê?

Educação financeira não é sobre ganhar mais. É sobre perder menos do que a média.


Quer ajuda nos investimentos com um especialista? Entre em contato abaixo com um consultor de investimentos.


 
 

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