Ações de Dividendos ou Crescimento Qual a Melhor Carteira
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Imagine que, em setembro de 2016, você tivesse R$ 50 mil para montar uma carteira de ações. Você escolheria empresas conhecidas por pagar bons dividendos ou empresas com maior potencial de crescimento?
Essa é uma das discussões mais tradicionais do mercado financeiro.
De um lado, temos empresas maduras, com negócios consolidados e histórico de distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio. Do outro, empresas que reinvestem uma parcela maior dos lucros no próprio negócio, buscando crescimento de receita, lucro e geração de valor ao longo do tempo.
Mas o que teria acontecido se tivéssemos colocado essas duas estratégias à prova?
Neste estudo, vamos comparar duas carteiras formadas por cinco ações cada uma, considerando um investimento inicial de R$ 10 mil em cada empresa, totalizando R$ 50 mil por carteira.
A análise considera o período de aproximadamente 01/09/2016 a 01/09/2026, com reinvestimento dos proventos na própria ação.
A pergunta central é:
Ao longo de 10 anos, teria sido melhor investir em uma carteira de dividendos ou em uma carteira de crescimento?
E o resultado é bastante interessante.

1. As duas carteiras
Para realizar a comparação, foram escolhidas dez empresas brasileiras divididas em duas estratégias.
Carteira de Dividendos
PETR4 – Petrobras
VALE3 – Vale
ITUB4 – Itaú Unibanco
BBAS3 – Banco do Brasil
TAEE11 – Taesa
Carteira de Crescimento
WEGE3 – WEG
RENT3 – Localiza
RADL3 – Raia Drogasil
TOTS3 – Totvs
B3SA3 – B3
A ideia não é afirmar que todas essas empresas são exclusivamente "ações de dividendos" ou "ações de crescimento".
Na realidade, algumas empresas podem se encaixar nas duas categorias.
O objetivo é criar duas carteiras com características diferentes para observar como cada grupo teria se comportado historicamente.
2. Como funciona a simulação?
Para tornar a comparação simples, adotamos a seguinte regra:
R$ 10.000 foram destinados inicialmente para cada ação.
Assim:
Carteira Dividendos:
R$ 10.000 × 5 empresas = R$ 50.000
Carteira Crescimento:
R$ 10.000 × 5 empresas = R$ 50.000
O período analisado é de aproximadamente dez anos.
Outro ponto importante é o tratamento dos dividendos e JCP.
Em vez de simplesmente receber os proventos e deixá-los fora da carteira, consideramos o reinvestimento dos dividendos na própria ação que realizou o pagamento.
Isso é extremamente importante.
Uma empresa pode apresentar uma valorização menor da cotação, mas compensar parte dessa diferença por meio de dividendos.
Por isso, analisar somente a valorização do preço da ação pode produzir uma conclusão incompleta.
3. Por que reinvestir dividendos faz tanta diferença?
Imagine uma empresa que distribua R$ 1 por ação.
Se o investidor simplesmente consumir esse dinheiro, ele receberá uma renda.
Mas se utilizar os R$ 1 para comprar novas ações, passa a possuir uma quantidade maior de ações.
Essas novas ações, por sua vez, também poderão receber dividendos no futuro.
É o famoso efeito dos juros compostos.
Ao longo de muitos anos, o efeito pode ser significativo.
Por isso, neste estudo, o objetivo não é comparar apenas a valorização das ações.
Queremos comparar o retorno total do investimento, considerando também os proventos reinvestidos.
4. Resultado da carteira de ações de dividendos
Começamos pelas empresas da carteira de dividendos.
Ação | Investimento inicial | Valor final aproximado | Retorno acumulado | Retorno anualizado |
PETR4 | R$ 10.000 | R$ 122.716 | +1.127,16% | 28,50% a.a. |
VALE3 | R$ 10.000 | R$ 85.687 | +756,87% | 23,96% a.a. |
ITUB4 | R$ 10.000 | R$ 67.201 | +572,01% | 20,99% a.a. |
BBAS3 | R$ 10.000 | R$ 29.880 | +198,80% | 11,57% a.a. |
TAEE11 | R$ 10.000 | R$ 44.480 | +344,80% | 16,10% a.a. |
Carteira | R$ 50.000 | R$ 349.964 | +599,93% | 21,50% a.a. |
O resultado chama bastante atenção.
Os R$ 50 mil inicialmente distribuídos entre as cinco empresas teriam chegado a aproximadamente:
R$ 349.964
Isso representa um ganho de aproximadamente:
R$ 299.964
sobre o capital inicial.
O retorno acumulado seria de aproximadamente 600%.
Mais importante ainda: considerando o crescimento do patrimônio ao longo dos dez anos, o retorno anualizado da carteira seria de aproximadamente:
21,50% ao ano
5. Petrobras foi o grande destaque da carteira de dividendos
Entre as cinco empresas, PETR4 apresentou o maior resultado individual da simulação.
Um investimento inicial de R$ 10 mil teria chegado a aproximadamente:
R$ 122.716
Isso significa que os R$ 10 mil teriam se transformado em mais de R$ 120 mil.
O retorno acumulado teria sido superior a 1.100%.
O resultado mostra como uma empresa que passou por períodos extremamente difíceis pode também proporcionar retornos extraordinários para quem conseguiu permanecer investido durante sua recuperação.
Mas existe uma lição importante aqui.
O investidor de 2016 não tinha como saber antecipadamente que a Petrobras apresentaria esse resultado.
Isso é fundamental quando analisamos investimentos pelo retrovisor.
É muito fácil olhar para os últimos dez anos e dizer:
"Era só ter comprado Petrobras."
Na prática, naquele momento existiam riscos relevantes, incertezas políticas, problemas de governança e uma situação financeira muito diferente da atual.
O retorno passado não elimina o risco existente no momento da decisão.
6. Vale também apresentou um desempenho extraordinário
VALE3 também teve um resultado muito forte.
Os R$ 10 mil iniciais teriam chegado a aproximadamente:
R$ 85.687
com retorno acumulado próximo de 757%.
A combinação de valorização da ação e distribuição de proventos contribuiu significativamente para o resultado.
Assim como no caso da Petrobras, entretanto, boa parte do desempenho está relacionada às condições extremamente favoráveis que determinadas empresas encontraram ao longo do período.
Isso demonstra outro aspecto importante da diversificação.
Mesmo em uma carteira de dividendos, os resultados individuais podem ser muito diferentes.
7. Itaú, Banco do Brasil e Taesa
ITUB4 teria transformado R$ 10 mil em aproximadamente:
R$ 67.201
O retorno acumulado seria de cerca de 572%, equivalente a aproximadamente 21% ao ano.
TAEE11 teria chegado a aproximadamente:
R$ 44.480
com retorno acumulado próximo de 345%.
Já BBAS3 apresentou o menor resultado entre as cinco ações da carteira, chegando a aproximadamente:
R$ 29.880
Mesmo sendo o menor resultado do grupo, ainda representa quase o triplo do capital inicial.
Isso mostra uma característica interessante da diversificação.
Uma carteira não precisa que todas as empresas sejam excelentes.
Algumas podem apresentar desempenho mediano enquanto outras compensam com resultados extraordinários.
8. E a carteira de crescimento?
Agora chegamos à segunda estratégia.
A carteira de crescimento foi composta por:
WEGE3
RENT3
RADL3
TOTS3
B3SA3
O resultado foi:
Ação | Investimento inicial | Valor final aproximado | Retorno acumulado | Retorno anualizado |
WEGE3 | R$ 10.000 | R$ 93.812 | +838,12% | 25,09% a.a. |
RENT3 | R$ 10.000 | R$ 34.764 | +247,64% | 13,27% a.a. |
RADL3 | R$ 10.000 | R$ 18.960 | +89,60% | 6,61% a.a. |
TOTS3 | R$ 10.000 | R$ 38.671 | +286,71% | 14,48% a.a. |
B3SA3 | R$ 10.000 | R$ 41.124 | +311,24% | 15,20% a.a. |
Carteira | R$ 50.000 | R$ 227.331 | +354,66% | 16,25% a.a. |
Os R$ 50 mil teriam chegado a aproximadamente:
R$ 227.331
O lucro seria de aproximadamente:
R$ 177.331
E o retorno anualizado ficaria em aproximadamente:
16,25% ao ano
9. WEG foi o grande destaque da carteira de crescimento
A grande estrela da carteira foi WEGE3.
Um investimento inicial de R$ 10 mil teria chegado a aproximadamente:
R$ 93.812
O retorno acumulado teria sido superior a 838%.
O CAGR, ou retorno anualizado, seria de aproximadamente:
25,09% ao ano.
Esse resultado mostra por que empresas capazes de crescer receita e lucro durante muitos anos podem gerar retornos extraordinários.
Mas existe uma diferença importante entre WEG e uma empresa tradicionalmente conhecida por dividendos.
Uma empresa em fase de expansão pode optar por reter uma parcela maior dos lucros para financiar novos investimentos.
Nesse caso, o retorno do acionista pode ocorrer principalmente pela valorização da empresa, e não necessariamente por elevados pagamentos de dividendos.
10. A B3SA3 também teve papel importante
A inclusão da B3SA3 no lugar da PRIO3 torna a comparação muito mais equilibrada.
Na simulação anterior, PRIO3 distorcia fortemente o resultado da carteira de crescimento devido à sua valorização extraordinária.
Ao substituir PRIO3 pela B3SA3, temos uma carteira muito menos dependente de um único caso excepcional.
B3SA3 teria transformado:
R$ 10.000 → aproximadamente R$ 41.124
O retorno acumulado seria de aproximadamente 311%, equivalente a cerca de 15,2% ao ano.
Isso coloca a B3SA3 em uma posição interessante dentro da carteira, embora abaixo dos resultados de PETR4, WEGE3, VALE3 e ITUB4 na comparação.
11. A comparação direta
Agora podemos colocar as duas estratégias lado a lado.
Carteira | Capital inicial | Valor final | Lucro | Retorno acumulado | Retorno anualizado |
Dividendos | R$ 50.000 | R$ 349.964 | R$ 299.964 | +599,93% | 21,50% a.a. |
Crescimento | R$ 50.000 | R$ 227.331 | R$ 177.331 | +354,66% | 16,25% a.a. |
A diferença final seria de aproximadamente:
R$ 122.633
Ou seja, nesta simulação, a carteira de dividendos teria terminado o período com aproximadamente R$ 122,6 mil a mais.
Em termos anualizados, a diferença seria de aproximadamente:
5,25 pontos percentuais ao ano.
12. Mas isso significa que ações de dividendos são melhores?
Não.
E essa é provavelmente a principal conclusão deste estudo.
O resultado mostra apenas que essa seleção específica de cinco ações de dividendos apresentou desempenho superior a essa seleção específica de cinco ações de crescimento durante esse período específico.
Não podemos transformar isso em uma regra universal.
Se mudássemos as empresas escolhidas, o resultado poderia ser completamente diferente.
Por exemplo, a carteira de crescimento contém empresas excelentes, mas algumas tiveram desempenhos bem diferentes umas das outras.
RADL3, por exemplo, apresentou um retorno bastante inferior ao de WEG.
Portanto, existe um segundo componente muito importante:
A seleção das ações.
Não basta escolher "dividendos" ou "crescimento".
É preciso escolher boas empresas.
13. O ranking das dez ações
Quando colocamos todas as empresas juntas, temos:
Ranking | Ação | Estratégia | Valor final de R$ 10 mil | CAGR aproximado |
1 | PETR4 | Dividendos | R$ 122.716 | 28,50% |
2 | WEGE3 | Crescimento | R$ 93.812 | 25,09% |
3 | VALE3 | Dividendos | R$ 85.687 | 23,96% |
4 | ITUB4 | Dividendos | R$ 67.201 | 20,99% |
5 | TAEE11 | Dividendos | R$ 44.480 | 16,10% |
6 | B3SA3 | Crescimento | R$ 41.124 | 15,20% |
7 | TOTS3 | Crescimento | R$ 38.671 | 14,48% |
8 | RENT3 | Crescimento | R$ 34.764 | 13,27% |
9 | BBAS3 | Dividendos | R$ 29.880 | 11,57% |
10 | RADL3 | Crescimento | R$ 18.960 | 6,61% |
A primeira coisa que chama atenção é que quatro das cinco primeiras posições pertencem à carteira de dividendos.
Mas WEG aparece em segundo lugar, mostrando que uma empresa de crescimento pode facilmente superar várias empresas pagadoras de dividendos.
14. O poder da diversificação
Imagine que o investidor tivesse colocado todos os R$ 50 mil em uma única empresa.
Se tivesse escolhido a melhor ação da lista, PETR4, o patrimônio seria muito maior.
Mas se tivesse escolhido a pior, RADL3, o resultado seria significativamente menor.
Esse é o motivo pelo qual a diversificação continua sendo tão importante.
Na carteira de dividendos, o investidor não precisava acertar qual empresa seria a campeã.
Ele simplesmente distribuiu:
R$ 10 mil × 5 empresas.
O resultado das empresas vencedoras compensou as empresas que tiveram desempenho inferior.
O mesmo aconteceu na carteira de crescimento.
15. E se os dividendos não fossem reinvestidos?
Essa é uma pergunta extremamente importante.
Quando o investidor recebe dividendos, ele possui duas opções:
Opção 1: consumir o dinheiro.
Opção 2: reinvestir o dinheiro.
Neste estudo, adotamos a segunda opção.
Isso significa que o objetivo não é medir quanto dinheiro o investidor recebeu em dividendos ao longo do período.
O objetivo é medir quanto patrimônio ele teria acumulado se utilizasse esses recursos para comprar mais ações.
Essa diferença é enorme.
O investidor que reinveste os proventos aumenta continuamente sua quantidade de ações.
Com o passar do tempo, passa a receber dividendos também sobre as ações adquiridas anteriormente.
É assim que o efeito de composição começa a trabalhar a favor do investidor.
16. O que o estudo ensina sobre dividendos?
Existe uma visão equivocada de que uma empresa que paga dividendos necessariamente proporciona um retorno menor.
Isso não é verdade.
Dividendos são apenas uma das formas pelas quais uma empresa pode devolver capital ao acionista.
Uma companhia pode gerar valor por meio de:
crescimento dos lucros;
aumento da receita;
expansão das margens;
aquisição de concorrentes;
abertura de novas unidades;
redução de dívida;
recompra de ações;
dividendos;
JCP;
ou uma combinação desses fatores.
Por isso, não devemos analisar uma ação apenas pelo seu dividend yield.
Uma empresa pode pagar 10% de dividendos e destruir valor.
Outra pode pagar apenas 2% e multiplicar o patrimônio dos acionistas por várias vezes.
O que importa é o retorno total para o acionista.
17. E o que o estudo ensina sobre crescimento?
Empresas de crescimento podem apresentar enorme potencial.
Mas crescimento não significa automaticamente bom investimento.
Uma empresa pode crescer rapidamente e, mesmo assim, ter uma ação cara demais.
Imagine duas empresas crescendo 20% ao ano.
A primeira custa 10 vezes seu lucro.
A segunda custa 50 vezes seu lucro.
Mesmo que as duas apresentem exatamente o mesmo crescimento operacional, o retorno do acionista poderá ser muito diferente.
Por isso, uma estratégia de crescimento exige analisar:
crescimento da receita;
crescimento do lucro;
retorno sobre o capital;
geração de caixa;
endividamento;
margens;
vantagens competitivas;
valuation.
Não basta procurar a empresa que cresce mais.
É necessário perguntar:
Quanto estou pagando por esse crescimento?
18. O grande erro de olhar apenas para o passado
Existe um perigo enorme em estudos históricos.
Depois que sabemos o resultado, tudo parece óbvio.
Hoje sabemos que WEG apresentou excelente desempenho.
Sabemos que Petrobras se recuperou fortemente.
Sabemos que Vale apresentou resultados extraordinários.
Mas em setembro de 2016 ninguém tinha acesso ao futuro.
O investidor precisava tomar decisões utilizando as informações disponíveis naquele momento.
Essa diferença entre análise ex post e decisão ex ante é fundamental.
Uma boa análise histórica ajuda a compreender o comportamento dos investimentos.
Mas não deve ser utilizada como garantia de rentabilidade futura.
19. Então qual estratégia é melhor?
A resposta depende do objetivo do investidor.
Para quem busca renda
Empresas maduras e boas pagadoras de dividendos podem fazer sentido.
O investidor pode utilizar os proventos para complementar sua renda ou reinvesti-los para aumentar o patrimônio.
Para quem busca crescimento patrimonial
Empresas capazes de crescer lucros durante muitos anos podem ser extremamente interessantes.
Nesse caso, a maior parte do retorno pode vir da valorização das ações.
Para quem busca equilíbrio
Pode fazer sentido combinar as duas estratégias.
Por exemplo:
50% em empresas de dividendos
e
50% em empresas de crescimento.
Dessa maneira, o investidor não precisa fazer uma aposta completa em apenas uma filosofia.
20. Uma carteira não precisa escolher apenas um lado
Existe uma falsa dicotomia no mercado:
"Ou você investe em dividendos ou investe em crescimento."
Na realidade, as melhores empresas podem apresentar as duas características.
Uma empresa pode:
crescer 15% ao ano;
aumentar seus lucros;
distribuir dividendos;
recomprar ações;
reduzir dívida;
e ainda encontrar novos mercados para expandir.
Nesse caso, ela pode ser simultaneamente uma empresa de crescimento e uma boa pagadora de proventos.
Por isso, talvez a pergunta mais interessante não seja:
"Dividendos ou crescimento?"
Mas sim:
"Quais empresas conseguem aumentar o valor do meu patrimônio ao longo do tempo?"
21. Resultado final
Depois de dez anos, a simulação apresentou:
Carteira Dividendos
R$ 50.000 → R$ 349.964
Retorno acumulado:
+599,93%
Retorno anualizado:
21,50% a.a.
Carteira Crescimento
R$ 50.000 → R$ 227.331
Retorno acumulado:
+354,66%
Retorno anualizado:
16,25% a.a.
Diferença
R$ 122.633
a favor da carteira de dividendos.
Portanto, nesta simulação, a carteira de dividendos foi a vencedora.
22. A principal lição
O resultado talvez seja diferente do que muitas pessoas esperariam.
Quando pensamos em "crescimento", imediatamente lembramos de empresas como WEG.
E, de fato, WEG foi uma das melhores ações da lista.
Mas uma carteira não é formada pela melhor ação.
Ela é formada por um conjunto de ativos.
E quando analisamos o conjunto, a carteira de dividendos apresentou desempenho superior.
Isso aconteceu porque Petrobras, Vale e Itaú tiveram resultados muito fortes e compensaram o desempenho mais moderado de Banco do Brasil e Taesa.
Portanto:
Não é possível determinar a melhor estratégia olhando apenas para uma ou duas empresas.
É necessário olhar para a carteira inteira.
Conclusão
A comparação entre dividendos e crescimento é muito mais complexa do que parece.
Dividendos não significam necessariamente baixo crescimento.
Crescimento não significa necessariamente alta rentabilidade.
E uma empresa que apresentou um retorno extraordinário no passado não necessariamente será a melhor empresa para os próximos dez anos.
O estudo mostra apenas uma fotografia de um período específico.
Entre setembro de 2016 e setembro de 2026, considerando as premissas utilizadas nesta simulação, R$ 50 mil na carteira de dividendos teriam chegado a aproximadamente R$ 350 mil, enquanto a carteira de crescimento teria chegado a aproximadamente R$ 227 mil.
A diferença foi superior a R$ 120 mil.
Mas talvez a maior lição seja outra:
o investidor não precisa necessariamente escolher entre dividendos e crescimento.
Uma estratégia bem construída pode combinar empresas maduras, geradoras de caixa e pagadoras de proventos com empresas que ainda possuem grande capacidade de expansão.
No longo prazo, o que realmente importa é a capacidade da empresa de gerar valor para o acionista.
E, acima de tudo, é importante lembrar:
rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.
Os próximos dez anos certamente serão diferentes dos últimos dez.
A verdadeira vantagem do investidor está em entender os fundamentos das empresas, diversificar adequadamente, controlar o risco e ter disciplina para permanecer investido durante os ciclos do mercado.
Metodologia e observações
Esta é uma simulação histórica, e não uma recomendação de compra ou venda de ações.
Os valores apresentados são aproximados e têm como objetivo comparar as duas estratégias. A simulação considera R$ 10 mil inicialmente aplicados em cada empresa e o reinvestimento dos proventos na própria ação.
O retorno anualizado (CAGR) representa a taxa média anual necessária para transformar o investimento inicial no valor final ao longo do período.
Não foram considerados, para simplificação, custos de corretagem, emolumentos, eventuais diferenças de preço de execução, impostos sobre operações ou outras despesas.
Para um backtest rigoroso, seria necessário reconstruir todas as operações utilizando as cotações históricas e cada evento de dividendos, JCP, bonificações, desdobramentos e demais eventos corporativos nas respectivas datas.
Este conteúdo possui caráter educacional e informativo e não constitui recomendação individual de investimento.
