Braskem lucrou: a recuperação começou ou ainda é uma aposta de alto risco?
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A Braskem surpreendeu positivamente no segundo trimestre de 2026.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 3,33 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões registrado no mesmo período de 2025. O EBITDA recorrente também apresentou uma forte recuperação, chegando a R$ 5,25 bilhões, contra apenas R$ 427 milhões um ano antes.
À primeira vista, parece uma notícia excelente.
E, de fato, é.
Mas existe uma questão que o investidor não pode ignorar: a Braskem continua altamente endividada e ainda está negociando uma reestruturação de suas dívidas.
Isso cria uma situação bastante interessante.
De um lado, temos uma empresa que apresentou uma melhora operacional impressionante.
Do outro, temos uma companhia cuja estrutura financeira ainda representa um risco relevante para o acionista.
Então, afinal, o que o resultado do 2T26 significa para quem investe em BRKM5?
Neste artigo, vamos analisar o resultado, entender o problema da dívida, discutir os possíveis caminhos para a empresa e, principalmente, responder a uma pergunta:
A Braskem está deixando de ser uma aposta de recuperação ou ainda é uma ação de alto risco?

O resultado do 2T26 foi realmente muito forte
Vamos começar pelo que há de mais positivo.
No segundo trimestre de 2026, a Braskem apresentou:
Lucro líquido: R$ 3,33 bilhões;
EBITDA recorrente: R$ 5,25 bilhões;
Receita líquida: R$ 21,72 bilhões;
Margem EBITDA: aproximadamente 24%;
forte recuperação dos spreads químicos e petroquímicos.
O lucro reverteu um prejuízo de R$ 267 milhões registrado no 2T25.
Já o EBITDA recorrente passou de R$ 427 milhões para R$ 5,25 bilhões.
Isso significa uma mudança gigantesca na capacidade operacional da companhia.
A própria Braskem destacou que o EBITDA foi beneficiado principalmente pelo aumento dos spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional, além das iniciativas comerciais realizadas pela companhia.
E isso nos leva a uma primeira conclusão:
O resultado operacional foi excelente.
Mas existe uma diferença importante entre uma empresa que está gerando muito caixa de maneira recorrente e uma empresa que teve um trimestre excepcional.
É justamente aí que começa a nossa análise.
O lucro de R$ 3,3 bilhões significa que a Braskem está recuperada?
Não necessariamente.
Esse é provavelmente o maior erro que um investidor poderia cometer ao analisar o balanço.
Uma empresa pode apresentar um lucro enorme em determinado trimestre e continuar enfrentando problemas financeiros importantes.
No caso da Braskem, precisamos separar duas coisas:
resultado operacional e estrutura financeira.
O resultado operacional melhorou muito.
A estrutura financeira, entretanto, continua sendo um problema.
A companhia segue com uma dívida elevada e está negociando com credores uma solução para sua estrutura de capital. A situação chegou ao ponto de a empresa obter proteção judicial contra ações de credores e discutir uma possível recuperação extrajudicial.
Portanto, o investidor precisa evitar uma conclusão simplista:
"A Braskem voltou a dar lucro, então o problema acabou."
Não acabou.
Mas também seria errado dizer que o resultado não importa.
Ele importa — e muito.
O que realmente melhorou: a alavancagem
Um dos dados mais interessantes do resultado é a evolução da relação entre dívida e EBITDA.
No primeiro trimestre de 2026, a situação era extremamente pressionada.
A melhora do EBITDA no segundo trimestre fez a alavancagem despencar.
No 2T26, a relação entre dívida líquida ajustada e EBITDA recorrente em 12 meses ficou em aproximadamente 6,74 vezes, contra um nível muito superior anteriormente.
Isso mostra como uma empresa cíclica pode mudar rapidamente de aparência quando o EBITDA melhora.
Imagine uma empresa com R$ 40 bilhões de dívida.
Se ela gera apenas R$ 2 bilhões de EBITDA, temos:
40 ÷ 2 = 20 vezes
É uma situação extremamente perigosa.
Mas se essa mesma empresa passa a gerar R$ 10 bilhões:
40 ÷ 10 = 4 vezes
A dívida é exatamente a mesma.
O que mudou foi a capacidade de geração de resultado.
Foi parcialmente isso que aconteceu com a Braskem.
Mas existe uma pegadinha nessa conta
A queda da alavancagem não aconteceu simplesmente porque a Braskem pagou bilhões de reais em dívidas.
Ela aconteceu principalmente porque o EBITDA aumentou muito.
Isso é importante.
A dívida líquida ajustada, inclusive, ainda apresentou aumento no trimestre. Segundo os dados divulgados, houve alta de aproximadamente 3%.
Portanto, ainda não podemos dizer:
"A Braskem está gerando muito caixa e usando esse dinheiro para reduzir sua dívida."
Ainda precisamos observar essa segunda etapa.
O cenário realmente saudável seria:
EBITDA sobe
↓
Geração de caixa aumenta
↓
Dívida começa a cair
↓
Alavancagem diminui
↓
Custo financeiro diminui
↓
Mais caixa fica disponível para reduzir dívida
Esse ciclo seria extremamente positivo.
Mas ainda precisamos verificar se ele será sustentado.
O grande problema: a Braskem precisa provar que esse EBITDA é sustentável
Esse talvez seja o ponto mais importante de toda a análise.
A Braskem é uma empresa altamente cíclica.
Seus resultados dependem, entre outros fatores, dos preços de seus produtos, matérias-primas e dos chamados spreads petroquímicos.
O spread representa, de forma simplificada, a diferença entre o preço de venda de um produto petroquímico e o custo de sua matéria-prima.
Quando o spread aumenta, a margem da empresa pode melhorar significativamente.
Foi justamente o que aconteceu no 2T26.
Os spreads químicos e petroquímicos internacionais melhoraram e contribuíram fortemente para o resultado.
O problema é que um spread elevado hoje não significa necessariamente que ele continuará elevado durante os próximos cinco anos.
E uma empresa com dívida muito elevada precisa de previsibilidade.
Por isso, eu não anualizaria simplesmente o EBITDA de R$ 5,25 bilhões do 2T26 e concluiria que a Braskem terá R$ 21 bilhões de EBITDA todos os anos.
Seria uma hipótese agressiva demais.
O investidor precisa observar os próximos trimestres.
Quanto a dívida precisaria cair para a Braskem se tornar uma empresa "normal"?
Aqui chegamos a um dos pontos mais interessantes.
Uma forma simples de avaliar o risco financeiro de uma companhia é observar:
Dívida líquida ÷ EBITDA
Quanto menor esse número, mais confortável tende a ser a estrutura financeira.
Podemos pensar em alguns níveis:
Dívida líquida / EBITDA | Interpretação |
Acima de 5x | Alto risco |
4x a 5x | Ainda elevado |
3x a 4x | Começa a normalizar |
2x a 3x | Estrutura mais saudável |
Abaixo de 2x | Muito confortável |
Esses níveis não são regras universais. Cada setor possui características diferentes.
Mas servem como uma referência para entender a situação.
No caso da Braskem, 4x seria um primeiro grande marco de normalização, enquanto uma alavancagem próxima de 3x já mudaria significativamente a percepção de risco.
A própria companhia possui como objetivo de longo prazo uma alavancagem de aproximadamente 2x EBITDA.
O que aconteceria se o EBITDA permanecesse em R$ 6,4 bilhões?
Para facilitar a compreensão, imagine que o EBITDA recorrente anualizado permanecesse próximo de R$ 6,4 bilhões.
Nesse cenário, teríamos aproximadamente:
Dívida líquida | EBITDA | Dívida/EBITDA |
R$ 43 bi | R$ 6,4 bi | 6,7x |
R$ 32 bi | R$ 6,4 bi | 5,0x |
R$ 26 bi | R$ 6,4 bi | 4,0x |
R$ 19 bi | R$ 6,4 bi | 3,0x |
R$ 13 bi | R$ 6,4 bi | 2,0x |
Ou seja:
Para sair de aproximadamente 6,7x para 4x, seria necessário reduzir a dívida líquida em algo próximo de R$ 17 bilhões, caso o EBITDA permanecesse constante.
Para chegar a 3x, a redução seria ainda maior.
Mas existe outra possibilidade.
A Braskem não precisa resolver tudo apenas pagando dívida
Esse é um ponto fundamental.
A empresa pode resolver o problema de duas maneiras: reduzindo a dívida aumentando o EBITDA, idealmente, pelas duas formas ao mesmo tempo.
Imagine, por exemplo, que a Braskem consiga sustentar um EBITDA anual de R$ 15 bilhões.
Nesse caso:
Dívida líquida | EBITDA | Alavancagem |
R$ 43 bi | R$ 15 bi | 2,9x |
R$ 35 bi | R$ 15 bi | 2,3x |
R$ 30 bi | R$ 15 bi | 2,0x |
R$ 25 bi | R$ 15 bi | 1,7x |
Perceba como a situação mudaria completamente.
Por isso, o próximo balanço será muito importante.
Não basta perguntar:
"A Braskem teve lucro?"
A pergunta correta é:
"Quanto caixa a Braskem conseguiu gerar e quanto da dívida conseguiu efetivamente reduzir?"
E se a Braskem não conseguir reduzir a dívida?
É aqui que o risco aumenta.
Se a empresa não conseguir resolver o problema através da geração de caixa, existem alguns caminhos possíveis.
1. Alongamento da dívida
É provavelmente a solução menos traumática.
A empresa negocia com os credores para aumentar os prazos de pagamento.
Por exemplo:
Em vez de pagar uma dívida de R$ 10 bilhões em poucos anos, poderia alongar os vencimentos para um período muito maior.
Isso reduz a pressão sobre o caixa.
A Braskem já está negociando com seus credores uma reestruturação dessa natureza. Há relatos de propostas envolvendo alongamento de prazos e mudanças nas condições financeiras.
Esse seria um cenário relativamente positivo para o acionista, principalmente se a empresa conseguir alongar a dívida sem uma diluição significativa.
2. Venda de ativos
Outra alternativa seria vender ativos para levantar dinheiro.
Imagine:
Venda de ativos: R$ 5 bilhões
↓
Pagamento de dívida: R$ 5 bilhões
↓
Dívida líquida cai
É uma solução direta.
Mas existe uma desvantagem.
Se a empresa vender ativos muito rentáveis, pode melhorar o balanço hoje e piorar a capacidade de geração de caixa amanhã.
Por isso, o investidor precisa observar quais ativos estão sendo vendidos e por quanto.
Vender um ativo não é necessariamente bom.
Depende do preço e da importância daquele ativo para a geração futura de caixa.
3. Novo aporte de capital
Outra possibilidade é colocar dinheiro novo dentro da empresa.
Nesse caso, os acionistas ou investidores poderiam realizar um aumento de capital.
Imagine:
Dívida líquida: R$ 43 bilhões
↓
Aporte: R$ 10 bilhões
↓
Dívida líquida potencialmente cai para R$ 33 bilhões
Financeiramente, seria excelente para a empresa.
Mas existe uma questão importante:
quem colocaria esse dinheiro?
E, principalmente:
em quais condições?
Se houver emissão de uma grande quantidade de novas ações, os acionistas atuais podem sofrer uma diluição significativa.
4. Conversão de dívida em ações
Esse é um dos riscos mais relevantes para quem possui BRKM5.
Em uma reestruturação, os credores podem aceitar transformar parte da dívida em participação acionária.
Imagine uma situação hipotética:
A Braskem possui R$ 40 bilhões de dívida.
Os credores aceitam transformar R$ 10 bilhões dessa dívida em ações.
A empresa reduz sua dívida.
O balanço melhora.
Mas, em contrapartida, surge uma quantidade enorme de novas ações.
Os atuais acionistas passam a possuir uma porcentagem menor da empresa.
É a chamada diluição.
E existe uma diferença enorme entre:
"A empresa sobrevive."
e
"O acionista atual ganha dinheiro."
A empresa pode sobreviver e, mesmo assim, o acionista sofrer uma perda enorme de participação.
5. Recuperação extrajudicial da Braskem
Esse é um cenário que merece atenção especial.
A Braskem está negociando uma possível recuperação extrajudicial para reorganizar sua dívida.
Reportagens recentes apontam que a companhia avalia uma operação para reestruturar mais de US$ 10 bilhões em dívidas, enquanto a proteção obtida contra credores tem prazo relevante neste mês.
É importante entender que recuperação extrajudicial não significa necessariamente falência.
O objetivo é justamente criar uma estrutura que permita à empresa continuar funcionando enquanto reorganiza suas obrigações.
Para a operação industrial, isso pode ser positivo.
Para o acionista, entretanto, tudo depende dos termos negociados.
Quanto será reduzido?
Quanto será alongado?
Haverá conversão de dívida em ações?
Haverá aumento de capital?
Qual será a participação dos atuais acionistas depois da operação?
Essas são as perguntas realmente importantes.
6. Recuperação judicial
Esse seria um cenário muito mais complicado.
Caso a empresa não consiga chegar a um acordo adequado com os credores e tenha dificuldades para honrar suas obrigações, uma recuperação judicial poderia entrar no radar.
Isso não significa automaticamente que a empresa deixará de operar.
Uma companhia pode continuar produzindo, vendendo e gerando EBITDA durante uma recuperação judicial.
Mas a situação para o acionista tende a ser muito mais delicada.
Isso acontece porque, em uma situação de estresse financeiro, os credores possuem prioridade econômica muito maior.
O acionista fica, em termos simplificados, com aquilo que sobra depois que as obrigações prioritárias são tratadas.
O grande paradoxo da Braskem
É justamente aqui que eu acredito que esteja a parte mais interessante da tese.
A Braskem pode ser uma boa empresa operacional e um investimento ruim.
Parece contraditório, mas não é.
Imagine uma empresa que possui:
fábricas competitivas;
bons produtos;
forte posição de mercado;
EBITDA crescente;
recuperação do setor.
Tudo isso pode ser verdade.
Mas se a dívida for muito grande e os credores ficarem com uma parcela relevante do valor econômico da empresa durante a reestruturação, o retorno do acionista pode ser limitado.
Por isso, investir em BRKM5 hoje não é simplesmente apostar:
"A petroquímica vai melhorar."
É apostar em duas coisas simultaneamente:
1. O ciclo petroquímico vai melhorar.
2. A estrutura financeira será resolvida de maneira favorável aos acionistas.
A segunda parte é tão importante quanto a primeira.
Então o resultado do 2T26 foi bom ou não?
Foi muito bom operacionalmente.
Isso precisa ser reconhecido.
A Braskem saiu de um EBITDA recorrente de R$ 427 milhões para R$ 5,25 bilhões.
Saiu de prejuízo de R$ 267 milhões para lucro de R$ 3,33 bilhões.
A receita também cresceu.
E a alavancagem caiu significativamente em relação aos níveis anteriores.
Portanto, seria errado ignorar o resultado.
Mas também seria errado olhar apenas para o lucro.
A dívida continua sendo o principal problema.
E o mercado parece ter entendido exatamente isso.
As ações chegaram a subir mais de 6% após a divulgação do resultado, mas a preocupação com a estrutura financeira continuou presente entre analistas.
O que eu observaria nos próximos balanços?
Se estivesse acompanhando BRKM5 como investidor, eu criaria uma espécie de "painel de recuperação".
Primeiro: EBITDA
Quero descobrir se o resultado de R$ 5,25 bilhões foi um ponto fora da curva ou o início de uma recuperação mais consistente.
Um trimestre excelente é bom.
Vários trimestres bons são muito mais importantes.
Segundo: geração de caixa
Esse é talvez o indicador mais importante.
Não adianta EBITDA subir se a empresa continuar consumindo caixa.
Precisamos observar:
Fluxo de caixa operacional e Fluxo de caixa livre.
Terceiro: dívida líquida
Aqui quero ver uma mudança clara:
Dívida líquida caindo em termos absolutos.
Isso seria um dos sinais mais fortes de recuperação.
Quarto: alavancagem
Acompanhar a trajetória:
6,7x → 5x → 4x → 3x → 2x
Quanto mais próxima de 3x ou menos, mais confortável começa a ficar a situação.
Quinto: acordo com credores
Esse talvez seja o evento mais importante no curto prazo.
O investidor precisa entender exatamente:
prazo da dívida;
juros;
carência;
garantias;
conversão em ações;
necessidade de novo capital;
possível diluição.
Três cenários possíveis para a Braskem
Podemos resumir a situação em três cenários.
Cenário 1 — Recuperação
A Braskem consegue manter bons spreads.
O EBITDA permanece elevado.
A geração de caixa melhora.
A dívida começa a cair.
A empresa consegue negociar um alongamento adequado com os credores.
Nesse cenário, a percepção de risco diminui bastante.
BRKM5 poderia deixar de ser vista como uma "aposta de recuperação" e passar a ser analisada como uma empresa petroquímica cíclica tradicional.
Esse seria o melhor cenário.
Cenário 2 — Reestruturação
O EBITDA melhora, mas não o suficiente para pagar toda a dívida.
A empresa precisa renegociar suas obrigações.
Os vencimentos são alongados.
Pode haver aumento de capital ou algum grau de diluição.
A empresa sobrevive e continua operando, mas o retorno dos atuais acionistas depende muito dos termos da reestruturação.
Esse é um cenário intermediário.
Cenário 3 — Deterioração
Os spreads petroquímicos voltam a cair.
O EBITDA diminui.
A geração de caixa piora.
A dívida continua elevada.
A empresa não consegue chegar a um acordo favorável com os credores.
Nesse cenário, aumenta significativamente o risco de uma reestruturação mais agressiva, com maior diluição dos atuais acionistas.
É o cenário que o investidor em BRKM5 precisa estar preparado para enfrentar.
Afinal, BRKM5 está barata?
Essa é uma pergunta que parece simples, mas não é.
Quando uma empresa está muito endividada, olhar apenas para:
P/L ou dividend yield pode ser enganoso.
Uma empresa pode parecer extremamente barata pelo lucro e continuar sendo arriscada por causa da dívida.
No caso da Braskem, eu considero mais importante observar:
Valor da empresa (EV) x EBITDA normalizado e, principalmente:
quanto desse valor econômico realmente pertence ao acionista depois de considerar a dívida e uma eventual reestruturação.
É por isso que uma ação pode cair 50% e ainda não estar necessariamente "barata".
E também pode subir 50% e continuar interessante se o risco financeiro tiver diminuído muito.
O que faria minha visão sobre BRKM5 mudar?
Eu ficaria muito mais otimista se observasse uma sequência parecida com esta:
1. EBITDA permanece elevado
↓
2. Fluxo de caixa livre fica positivo
↓
3. Dívida líquida começa a cair
↓
4. Alavancagem cai para menos de 5x
↓
5. Depois chega perto de 4x
↓
6. Reestruturação é concluída sem diluição excessiva
↓
7. Alavancagem se aproxima de 3x
Nesse momento, estaríamos diante de uma Braskem muito diferente da empresa que temos hoje.
E é justamente aí que pode surgir uma oportunidade interessante.
O mercado normalmente começa a reprecificar uma empresa antes de ela chegar ao nível ideal de alavancagem.
Se hoje o mercado precifica a empresa como uma companhia em situação de risco e, daqui a dois anos, passa a enxergá-la como uma empresa com dívida controlada, a mudança de percepção pode ser muito relevante para o preço da ação.
Conclusão: a recuperação começou, mas ainda não terminou
O resultado do segundo trimestre de 2026 é, sem dúvida, uma notícia positiva para a Braskem.
O lucro de R$ 3,33 bilhões e o EBITDA recorrente de R$ 5,25 bilhões mostram que a capacidade operacional da empresa pode ser muito maior do que os resultados anteriores sugeriam.
Mas o investidor precisa tomar cuidado para não confundir melhora operacional com solução financeira.
A Braskem ainda possui uma dívida elevada e enfrenta negociações complexas com seus credores.
Por isso, minha interpretação do 2T26 seria:
A recuperação operacional começou, mas a recuperação financeira ainda precisa ser comprovada.
E essa diferença é fundamental.
Para quem está analisando BRKM5, eu não olharia apenas para o lucro.
Eu acompanharia três números acima de todos:
EBITDA + geração de caixa + dívida líquida.
Se os três evoluírem na direção correta, a tese pode ficar cada vez mais interessante.
Se apenas o EBITDA subir enquanto a dívida continuar elevada, a situação continua sendo de risco.
E se o ciclo petroquímico piorar novamente antes que a estrutura financeira seja resolvida, o risco para o acionista aumenta bastante.
No final, a grande pergunta não é:
"A Braskem voltou a dar lucro?"
A resposta já sabemos: sim.
A pergunta que realmente importa é:
"A Braskem conseguirá transformar esse lucro em redução de dívida e, consequentemente, devolver valor aos seus acionistas?"
É isso que os próximos trimestres vão responder.
E, para o investidor, essa pode ser uma das histórias mais interessantes — e arriscadas — da Bolsa brasileira nos próximos anos.
Aviso ao investidor
Este conteúdo possui caráter educacional e não constitui recomendação de compra ou venda de BRKM3, BRKM5 ou qualquer outro ativo. Investimentos em ações envolvem riscos, inclusive de perda de capital. No caso de empresas em processo de reestruturação financeira, os riscos podem ser significativamente maiores, incluindo diluição dos acionistas e volatilidade elevada.
